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Um Encontro que Transforma

Everson Alessandro · Êxodo 3

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Descrição

Os encontros que vivemos ao longo da vida produzem transformações. O encontro de Moisés com Deus diante da sarça ardente revela uma verdade fundamental: a missão não começa na importância de quem é chamado, mas na identidade daquele que chama.

Moisés passou por diferentes fases. Durante quarenta anos, acreditou ser alguém; nos quarenta seguintes, percebeu que não era ninguém; e, depois, aprendeu o que Deus pode fazer por meio de quem reconhece sua dependência dele. Quando encontrou Deus no deserto de Midiã, era pastor do rebanho de seu sogro. Ainda assim, foi chamado para libertar seu povo.

Aquele encontro não foi um convite para Moisés permanecer isolado na presença divina, mas para voltar ao Egito e participar da libertação de Israel. Deus também nos transforma para que sejamos instrumentos de transformação na vida de outras pessoas.

Vivemos em uma geração que valoriza a autopromoção, o reconhecimento e o destaque. Parece que não basta fazer o bem; é preciso mostrá-lo. O sucesso é associado à visibilidade e aos aplausos. O Reino de Deus, porém, apresenta outra lógica.

Deus não escolheu Moisés por seus méritos ou capacidades extraordinárias. Sua identidade foi transformada pela graça. Da mesma maneira, nossa identidade em Cristo não é conquista pessoal, mas presente recebido. Isso nos livra do orgulho e da falsa humildade. A eleição não é troféu, mas chamado à responsabilidade.

Antes de voltar ao Egito, Moisés precisou ser transformado no íntimo. Quando Deus ordenou que tirasse as sandálias, revelou que aquele encontro exigia reverência diante de sua santidade. Deus transforma nosso coração para a missão. Nossa identidade precisa ser moldada por aquele que é santo.

Quando Moisés perguntou quem era para se apresentar ao faraó, Deus não exaltou suas qualidades. Respondeu que estaria com ele. A segurança de Moisés não estava em quem ele era, mas em quem o enviava.

Quantas vezes ficamos paralisados perguntando se somos capazes ou preparados o suficiente? Deus não nos chama a construir um nome para nós mesmos, mas a confiar nele. Isso não significa anular nossos dons, mas colocá-los a serviço de Deus sem transformar a missão em autopromoção. Podemos dizer: “Senhor, usa-me”, sem ocupar o centro das atenções.

Ao revelar seu nome a Moisés, Deus mostrou que sua presença acompanharia o servo. A missão não dependeria da grandeza de Moisés, mas da fidelidade daquele que o enviava. Nossa identidade é reconfigurada pela graça. Deus nos concede dons e oportunidades para abençoar quem está ao nosso redor.

O sacerdócio universal, uma das verdades recuperadas pela Reforma Protestante, nos lembra que, por meio de Jesus Cristo, temos acesso direto à presença de Deus. Não precisamos de outro mediador além dele. Podemos nos aproximar do Senhor em oração e confiar que somos ouvidos por causa de Cristo.

Esse acesso não nos transforma em indivíduos autônomos, cada um vivendo sua própria missão. Deus nos chama para fazer parte de um povo. Não somos apenas libertos do cativeiro, mas libertos para viver em adoração, servir uns aos outros e anunciar as virtudes de Cristo.

A libertação de Israel não tinha como objetivo apenas tirá-lo do Egito, mas conduzi-lo à adoração. Da mesma forma, em Cristo, fomos libertos das trevas e transportados para o Reino do Filho de Deus. Não fomos libertos para alimentar desejos egoístas ou buscar destaque, mas para manifestar a glória de Deus.

Essa missão é comunitária. A igreja não é sobre um pastor, um líder ou uma pessoa de destaque. É um povo chamado por Deus para tornar Cristo conhecido. O sacerdócio universal não é palco para promoção individual, mas vocação para servir, amar e nos envolver com as necessidades das pessoas.

O povo de Deus é chamado para ser uma comunidade de contraste. Isso não significa que somos melhores do que os outros ou que devemos dominar o mundo. A lógica do Reino é servir. Ao amar as pessoas e nos envolver com suas dores, revelamos o amor de Deus.

Precisamos celebrar os dons dos outros sem transformar tudo em competição. O sucesso de alguém não deve ser motivo de comparação, mas de gratidão a Deus. A glória final pertence a Jesus.

Talvez você ainda pergunte: “Senhor, quem sou eu?”. Não permita que essa pergunta o paralise. A resposta dada a Moisés nos lembra que não caminhamos sozinhos. A presença do Senhor continua sendo nossa segurança. Em Cristo, recebemos uma nova identidade, e o Espírito Santo habita em nós.

Que nosso encontro com Deus transforme nossa maneira de enxergar a nós mesmos, nossa missão e a igreja. Rompendo as barreiras do orgulho, da insegurança e do isolamento, possamos dizer: “Senhor, usa-me para manifestar tua glória e anunciar tuas virtudes ao mundo”.

Não se trata de construir um nome para nós, mas de participar da missão de Deus. Fomos chamados pela graça, transformados por sua presença e enviados para servir. Somos um povo, um sacerdócio, uma comunidade que existe para tornar Cristo conhecido.