O que é melhor e o que é necessário
Everson Alessandro · Filipenses 1:19-25
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O que é melhor e o que é necessário - Everson Alessandro | Filipenses 1:19-25
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A reflexão sobre o que é melhor e o que é necessário parte de um ponto central: a liberdade humana para escolher e a sabedoria necessária para discernir entre aquilo que nos agrada e o que nos é realmente essencial. Desde os primeiros filósofos até os ensinamentos de grandes pastores, essa questão permeia nossa experiência e desafia nossa maturidade espiritual.
Iniciamos com uma reflexão sobre como a liberdade de escolher afeta cada um de nós. No supermercado, por exemplo, as crianças se veem rodeadas de doces e balas ao alcance das mãos, sendo guiadas pela imaturidade natural a buscar o que parece melhor naquele instante. Assim, aprendemos que o desejo pelo melhor muitas vezes está ligado a uma perspectiva limitada e infantil. Se deixamos esse anseio inicial nos guiar, nunca amadurecemos espiritualmente, pois a visão de “melhor” aqui é voltada para o imediatismo, para o que agrada ao “eu”. Essa postura, no entanto, pode se estender para a fase adulta, transformando homens e mulheres em “adolescentes com cabelo branco”, que se atêm ao que desejam para si mesmos, deixando de lado o que é mais elevado: o necessário.
Paulo, que escreveu Filipenses enquanto estava preso, ilustra o que é viver a vida cristã na perspectiva do que é necessário. Encarcerado, ele expressa sua esperança na libertação, ancorada nas orações da igreja. Aqui, percebemos um homem que não é prisioneiro de sua situação, mas livre em sua fé, com a confiança plena em Deus. Essa liberdade interior vai além das circunstâncias externas, e Paulo nos ensina que sua prisão física não define seu espírito; ele está disposto a fazer o que é necessário para a expansão do evangelho, mesmo que sua situação pessoal seja difícil.
Nesse contexto, temos grandes exemplos de homens de fé como Martin Lloyd-Jones e Tim Keller. No leito de morte, Lloyd-Jones pediu que parassem de orar pela sua cura, desejando entrar na glória de Deus. Já Tim Keller, que também faleceu recentemente, deixou um recado encorajador: “Não fiquem tristes, pois se Jesus ressuscitou, tudo ficará bem”. Ambos demonstram uma confiança semelhante à de Paulo, colocando o necessário — estar com Deus — acima de qualquer desejo de permanecer no mundo por mais tempo. Eles exemplificam o que significa realmente entender que o melhor para Deus é sempre o que é necessário para nós, pois nos leva de volta ao Seu amor.
Viver em busca do que é necessário implica estar aberto a Deus em todos os momentos, e muitas vezes significa que vamos contra a corrente da cultura ao nosso redor, que frequentemente prega o prazer imediato e a satisfação própria. A filosofia existencialista, como descrita por Jean-Paul Sartre, declara que “a existência precede a essência”, ou seja, o presente é mais importante do que qualquer coisa além dele. Entretanto, a Bíblia nos ensina que Deus tem um propósito eterno para cada um de nós. Quando caminhamos em direção a esse propósito, estamos buscando o necessário, aquilo que realmente importa, e que é duradouro, não apenas passageiro.
Cada escolha entre o “melhor” e o “necessário” pode ser vista na perspectiva de nossas responsabilidades diárias, especialmente quando optamos por sacrificar nosso conforto para atender às necessidades daqueles ao nosso redor. Todo pai e mãe, por exemplo, são constantemente colocados à prova nesse sentido. Quantos sacrifícios são feitos em favor dos filhos, quantas noites de sono são perdidas, e quantas decisões são tomadas com base não no que os pais desejam, mas no que as crianças precisam? É um reflexo do amor incondicional de Deus por nós. Ele enviou Jesus para viver entre nós e experimentar as dores humanas, mostrando que Ele conhece nossas limitações e fraquezas.
Esse amor é a essência do necessário. Deus nos deu um propósito e nos chama para viver de acordo com Ele, reconhecendo que, por mais que possamos desejar a facilidade e o conforto do “melhor”, o necessário nos leva à obediência, ao serviço e ao cumprimento do nosso papel no mundo.
Assim, que possamos olhar para nossa vida e pedir a Deus que nos ajude a viver com o foco no necessário, no que Ele espera de nós. Que possamos refletir, como Paulo, e dizer: “Senhor, estou pronto a viver para Ti, pronto a fazer o que é necessário para Tua glória e para o bem daqueles que o Senhor colocou no meu caminho”. Essa é a verdadeira liberdade e a verdadeira paz que encontramos em Cristo: viver não mais para nós mesmos, mas para o propósito de Deus, buscando aquilo que Ele determinou e cumprindo o necessário com alegria e gratidão.