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As Palavras Eternas

Everson Alessandro · Mateus 28:20

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Descrição

“E eu estarei com vocês todos os dias até a consumação dos séculos.” Em Mateus 28:20, Jesus encerra suas palavras no Evangelho com uma promessa extraordinária: sua presença contínua com os discípulos. O cristianismo não se resume a uma doutrina, um método ou um conjunto de princípios. É um relacionamento com alguém que prometeu permanecer conosco. Jesus não ofereceu apenas suas ideias. Ele prometeu a si mesmo.

Essa promessa foi dada a discípulos que ainda enfrentariam perseguição, sofrimento e morte. O que os sustentaria não seria a ausência de dificuldades, mas a certeza de que não estariam sozinhos. Ao longo dos séculos, o evangelho alcançou culturas diferentes, assumindo expressões variadas, mas preservando sua essência: Cristo presente em seu povo.

Antes de enviar os discípulos, Jesus também lhes disse que esperassem até serem revestidos de poder do alto (Lucas 24:49). Em Atos 1:8, prometeu que o Espírito Santo lhes daria poder para serem suas testemunhas. A missão não dependeria apenas da capacidade humana, mas da ação de Deus por meio daqueles que ele chamou. A presença de Cristo não é somente um consolo para os dias difíceis. É também a fonte de poder para viver e testemunhar o evangelho.

Diante disso, precisamos perguntar quanto espaço damos à ação do Espírito Santo em nossa vida cotidiana. É possível conhecer a linguagem cristã, cumprir responsabilidades religiosas e continuar vivendo na dependência das próprias forças. A atividade pode permanecer intensa enquanto a comunhão com Deus se torna superficial. Por isso, não basta fazer coisas para Deus. Precisamos cultivar nosso relacionamento com ele.

Em 2 Timóteo 2:4, Paulo compara a vida cristã à dedicação de um soldado que não se deixa envolver por tudo aquilo que o distrai de sua missão. O problema nem sempre está em algo explicitamente errado, mas na quantidade de coisas que disputam nossa atenção. Uma vida constantemente ocupada com entretenimento, preocupações e demandas pode perder a disposição de buscar a Deus com profundidade.

A distração nos deixa sem fome espiritual. Chegamos à oração sem atenção, lemos a Bíblia sem refletir e participamos dos cultos sem cultivar uma expectativa real de encontro com Deus. Não significa que precisamos abandonar nossas responsabilidades, mas que devemos aprender a ordenar nossa vida para que a comunhão com o Senhor não seja sempre a última prioridade.

Em Ezequiel 9 a 11, a glória de Deus deixa progressivamente o templo de Jerusalém. É uma imagem séria: a estrutura religiosa permanecia, mas a presença divina já não estava ali como antes. O relato nos alerta para o perigo de preservar as formas externas da fé enquanto negligenciamos aquilo que lhes dá sentido. Podemos manter atividades, músicas, reuniões e mensagens sem cultivar uma comunhão verdadeira com Deus.

Entretanto, a esperança bíblica não termina no afastamento. Deus prometeu restaurar seu povo, e o Novo Testamento revela uma realidade ainda mais profunda: pelo Espírito Santo, Deus habita naqueles que pertencem a Cristo. O poder que ressuscitou Jesus opera em seu povo, capacitando-o a viver de maneira diferente e a testemunhar o evangelho.

A promessa de Jesus, portanto, não deve produzir passividade, como se sua presença significasse que podemos viver de qualquer maneira. Ela nos convida a responder com fé, obediência e dependência. Saber que Cristo está conosco deve despertar o desejo de conhecê-lo mais, ouvir sua Palavra e permitir que o Espírito transforme nossas escolhas.

Não se trata de buscar experiências extraordinárias o tempo todo, mas de cultivar uma relação constante com Deus. Isso acontece na oração sincera, na meditação nas Escrituras, na obediência diária e na disposição de reconhecer nossa necessidade dele. A maturidade cristã não consiste em aprender a viver sem depender de Deus, mas em aprofundar essa dependência.

Jesus prometeu estar conosco todos os dias. Essa presença não elimina todas as dificuldades, mas muda a maneira como atravessamos cada uma delas. Não fomos chamados apenas a administrar uma religião com eficiência, mas a viver em comunhão com Cristo e a participar de sua missão.

As palavras humanas podem inspirar gerações, mas a promessa de Jesus é diferente: aquele que prometeu sua presença continua vivo. Por isso, não nos contentemos em conhecer suas palavras sem cultivar relacionamento com ele. Que nossa fé não seja apenas uma rotina religiosa, mas uma vida marcada pela consciência de sua presença, pela ação do Espírito e pelo desejo sincero de conhecer cada vez mais aquele que prometeu permanecer conosco até o fim.